quinta-feira, 18 de março de 2021

Despedida


("Mãe, mãe, mãe..."
Me pego pensando isso, como se eu tivesse te chamando,
como se eu quisesse te falar alguma coisa desses últimos dias... )

Minha mãe faleceu. Mais uma vítima da Covid. Mais uma vítima do governo genocida de Jair Bolsonaro. Ela tinha feito 50 anos mês passado. Quase não saía de casa. Ficou no olho do furacão, esperando por quatro dias uma vaga na UTI, com 75% dos pulmões comprometidos. Chegou a ver óbito, gente desesperada ali do lado. Já intubada, teve uma parada cardíaca. E se foi.

Ela fez muitos sacrifícios pra criar três filhos. Foi árduo, foi duro, como é pra toda mãe trabalhadora. Mas foi assim também que construiu sua fortaleza de amor, com seus pilares humanos e felinos



Hoje, quando entrei no quarto dela, encontrei esses dois quadros, ainda lacrados com plástico. Queria leveza na vida; buscou, a seu jeito, mas não encontrou no plano terreno.

Esse é o mais profundo luto que inicio. Uma tristeza que parece infinita... Mãe, mãe, mãe... Você tinha só 50 anos. Eu te via e achava que tu ainda podia e merecia ser muito mais, mas o mundo é injusto, o governo é canalha e a vida é dura. Que tu encontre leveza no plano que te recebe. Vou me lembrar de ti ao me olhar no espelho e toda vez que eu falar de amor.

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