segunda-feira, 10 de março de 2014

Cartão vermelho para o machismo!


“EXTRA! EXTRA!

Imagem da mulher brasileira é reproduzida no exterior atrelada ao sexo.”

Por mais que as bandeiras pela liberdade das mulheres tenham conquistado consciências mundo afora, ainda teríamos dúvida, sem surpresa alguma, se a referida notícia data dos anos 60 ou de ontem.

Foto: Reprodução Google
O mais recente caso de machismo que reduz a mulher a um mero objeto sexual foi estampado há poucos dias atrás nas camisas da Adidas, uma das patrocinadoras oficiais da Copa da Fifa a ser realizada no Brasil. Postas à venda ao público norte-americano, as camisas comemoram a Copa do Mundo no Brasil trazendo mulheres de biquínis e os dizeres “Eu amo o Brasil” e “Buscando marcar gols” em mensagens de duplo sentido que promovem o turismo sexual. O governo brasileiro repudiou a campanha da Adidas e afirmou que a promoção turística do país no exterior é feita através de sua diversidade cultural, das belezas naturais e da hospitalidade do povo brasileiro.

Foto: Carolina Matos
Convenhamos: é importante a posição do governo brasileiro sobre o fato, mas, ainda que a promoção do turismo sexual no Brasil não seja institucionalizada (e seria um imenso absurdo se assim fosse), isso não significa que ela não exista. Longe de incorporarem a ética na prática empresarial, várias agências de turismo promovem apresentações de mulatas sambando seminuas para receber a gringarada. Tão comum quanto isso são as lembrancinhas de viagem, produzidas aqui mesmo, carregadas de conotação sexual, ainda que sutilmente. Não faz muito tempo, deparei-me com um cartão postal, à venda em uma das lojas do aeroporto de Natal/RN, que trazia a linda praia de Ponta Negra, um dos principais atrativos da cidade, como pano de fundo para quatro mulheres de biquíni tomando banho de sol, evidentemente de costas para a foto. Definitivamente, não é um postal que eu mandaria para a minha mãe.

E já que estamos no mês de março, quando se celebra o Dia Internacional da Mulher, sugiro irmos um pouco mais longe nessa reflexão: a triste verdade é que o estereótipo da mulher brasileira atrelado ao sexo não é reproduzido apenas no exterior e por empresas associadas ao turismo. Nos programas de TV, nas músicas, nas “cantadas” do cotidiano e em demais relações sociais, a mulher é resumida ao seu corpo. Nossa sociedade segue enraizada no machismo subestimando a inteligência e a capacidade da mulher, e ameaçando (ou até mesmo violando) sua liberdade e sua autonomia. Os resultados disso são a falta de oportunidades, os baixos salários, as terceiras (e exaustivas) jornadas de trabalho, a violência doméstica e os 50 mil estupros ocorridos por ano no país.

A repercussão contra a campanha da Adidas não partiu só do governo brasileiro. Nas redes sociais, os usuários brasileiros repudiaram-na de prontidão através de uma grande mobilização para denunciar o turismo sexual promovido pela empresa e legitimado pela Fifa. A ação deu resultado: a Adidas retirou as camisas de circulação. Está passando da hora de nos mobilizarmos para também denunciar o machismo de cada dia, não só o que “objetifica” a mulher, mas o que a violenta e a explora. Na Copa do Mundo e na vida, a regra deve ser clara: cartão vermelho para o machismo!

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