“EXTRA! EXTRA!
Imagem da mulher brasileira é reproduzida no
exterior atrelada ao sexo.”
Por mais que as bandeiras pela liberdade das
mulheres tenham conquistado consciências mundo afora, ainda teríamos dúvida,
sem surpresa alguma, se a referida notícia data dos anos 60 ou de ontem.
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| Foto: Reprodução Google |
O mais recente caso de machismo que reduz a mulher a um mero objeto sexual foi
estampado há poucos dias atrás nas camisas da Adidas, uma das patrocinadoras oficiais
da Copa da Fifa a ser realizada no Brasil. Postas à venda ao público norte-americano,
as camisas comemoram a Copa do Mundo no Brasil trazendo mulheres de biquínis e
os dizeres “Eu amo o Brasil” e “Buscando marcar gols” em mensagens de duplo
sentido que promovem o turismo sexual. O governo brasileiro repudiou a campanha
da Adidas e afirmou que a promoção turística do país no exterior é feita através
de sua diversidade cultural, das belezas naturais e da hospitalidade do povo
brasileiro.
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| Foto: Carolina Matos |
Convenhamos: é importante a posição do governo
brasileiro sobre o fato, mas, ainda que a promoção do turismo sexual no Brasil
não seja institucionalizada (e seria um imenso absurdo se assim fosse), isso
não significa que ela não exista. Longe de incorporarem a ética na prática
empresarial, várias agências de turismo promovem apresentações de mulatas sambando
seminuas para receber a gringarada. Tão comum quanto isso são as lembrancinhas
de viagem, produzidas aqui mesmo, carregadas de conotação sexual, ainda que
sutilmente. Não faz muito tempo, deparei-me com um cartão postal, à venda em
uma das lojas do aeroporto de Natal/RN, que trazia a linda praia de Ponta
Negra, um dos principais atrativos da cidade, como pano de fundo para quatro
mulheres de biquíni tomando banho de sol, evidentemente de costas para a foto.
Definitivamente, não é um postal que eu mandaria para a minha mãe.
E já que estamos no mês de março, quando se celebra
o Dia Internacional da Mulher, sugiro irmos um pouco mais longe nessa reflexão:
a triste verdade é que o estereótipo da mulher brasileira atrelado ao sexo não
é reproduzido apenas no exterior e por empresas associadas ao turismo. Nos
programas de TV, nas músicas, nas “cantadas” do cotidiano e em demais relações
sociais, a mulher é resumida ao seu corpo. Nossa sociedade segue enraizada no
machismo subestimando a inteligência e a capacidade da mulher, e ameaçando (ou
até mesmo violando) sua liberdade e sua autonomia. Os resultados disso são a
falta de oportunidades, os baixos salários, as terceiras (e exaustivas)
jornadas de trabalho, a violência doméstica e os 50 mil estupros ocorridos por
ano no país.
A repercussão contra a campanha da Adidas não partiu só do governo brasileiro.
Nas redes sociais, os usuários brasileiros repudiaram-na de prontidão através
de uma grande mobilização para denunciar o turismo sexual promovido pela
empresa e legitimado pela Fifa. A ação deu resultado: a Adidas retirou as
camisas de circulação. Está passando da hora de nos mobilizarmos para também
denunciar o machismo de cada dia, não só o que “objetifica” a mulher, mas o que
a violenta e a explora. Na Copa do Mundo e na vida, a regra deve ser clara: cartão
vermelho para o machismo!


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