quinta-feira, 27 de março de 2014

Vanderlei, eu e você: vítimas do Agronegócio

Abri a página do Brasil de Fato.

Entre os destaques:
"Trabalho, agrotóxicos e morte: uma longa espera por justiça".

A matéria é sobre Vanderlei Matos da Silva, funcionário da empresa multinacional Del Monte. 

Desde 2005, ele trabalhava em Limoeiro do Norte, município da região do Vale Jaguaribe, no estado do Ceará, no preparo da solução de agrotóxicos utilizado para ser borrifado sobre a lavoura de fruticultura da empresa, numa jornada que ia além das oito horas diárias. Em 2008, veio a falecer com diagnóstico de Insuficiência Renal Aguda, Hemorragia Digestiva Alta e Insuficiência Hepática Aguda.

A reportagem menciona o 'Estudo epidemiológico da população da Região do Baixo Jaguaribe exposta à contaminação ambiental em área de uso de agrotóxicos', que aponta algumas más consequências do agronegócio de fruticultura no Ceará:

"1. O aumento em 100% dos agrotóxicos consumidos no Ceará entre 2005 e 2009, e de 963,3% dos ingredientes ativos de agrotóxicos comercializados no estado no mesmo período;

2. O consumo elevado da água nos cultivos;

3. A contaminação por agrotóxicos da água disponibilizada para consumo humano e das águas subterrâneas;

4. O lançamento pela pulverização aérea de cerca de 4.425.000 litros de calda contendo venenos extremamente tóxicos, altamente persistentes no ambiente e muito perigosos, no entorno de comunidades da Chapada do Apodi;

5. A exposição diária de trabalhadores do agronegócio a elevados volumes de caldas tóxicas – que inclusive já resultou em pelo menos um óbito e na identificação de alterações na função hepática de significativo contingente de trabalhadores examinados;

6. A constatação de que os agricultores no Ceará têm até seis vezes mais câncer do que os não agricultores, em pelo menos 15 das 23 localizações anatômicas estudadas;

7. A elevada vulnerabilidade da população, relacionada às irregularidades fundiárias, à precariedade das condições de trabalho nas empresas, à limitadas informação e assistência técnica aos pequenos produtores, às situações de ameaças e violência contra a organização comunitária e sindical, à ausência ou fragilidade de políticas públicas que fortaleçam a agricultura familiar e camponesa, bem como outras alternativas de trabalho e renda”.


Do lado da produção ou do consumo, o agronegócio é uma ameaça à vida.

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