quinta-feira, 24 de julho de 2014

Servidores do IBGE enfrentam ataque ao direito de greve

Foto: Carolina Matos
Em greve desde o dia 26 de maio, os servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizaram, nos dias 23 e 24 de julho, um ato nacional em Brasília exigindo a readmissão dos cerca de 200 agentes temporários grevistas que foram demitidos pela direção do instituto. Os trabalhadores acamparam na frente do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) também decididos a arrancar do governo uma rodada de negociações.

Com a campanha ‘SOS IBGE’, os trabalhadores buscam defender o instituto, que, com 80 anos de história, ainda é referência quando se trata de pesquisa ao fornecer retratos culturais, sociais e econômicos do Brasil. O movimento tem denunciado o corte no orçamento do instituto e a crescente precarização do trabalho dentro do IBGE, onde funcionários de carreira estão sendo substituídos por temporários que ganham pouco mais que um salário mínimo, com contratos aditivados a cada três meses, sem direito a FGTS e nem a seguro-desemprego. Diante da crise em que se encontra o instituto, os servidores reivindicam melhores condições de trabalho, autonomia técnica, mais recursos para o IBGE, realização de concursos públicos e democracia interna.

Além do ato em Brasília, os servidores vêm realizando uma série de protestos em todo o país. No Amapá, os funcionários paralisaram praticamente todas as pesquisas realizadas pelo IBGE. Em Natal (RN), os servidores promoveram um funeral simbólico do instituto. Chefias e supervisores da Bahia, do Espírito Santo, do Mato Grosso do Sul, da Paraíba, de Pernambuco, do Rio Grande do Norte, do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina entregaram seus cargos em protesto às rescisões. Em Campinas (SP), os servidores cruzaram os braços por 48 horas em apoio aos acampados no MPOG, manifestando também solidariedade aos temporários demitidos.

Após muita insistência, o movimento conquistou audiência de negociação, marcada para primeira semana de agosto, no Rio de Janeiro. Frente à intransigência da direção do IBGE, ao corte de ponto, às 200 demissões e aos demais ataques ao direito de greve, os servidores do IBGE têm mostrado que a resposta deve ser só uma: mais luta!

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