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| uma cadeira e um homem |
Ando experimentando muita coisa na minha morada em Campinas, desde caqui até intensas e sofridas crises de sinusite. A que mais me despertou curiosidade foi participar de uma oficina de modelo vivo colaborativa. Fui a convite de um amigo. Não precisa tirar a roupa para posar. Não precisa posar, não precisa desenhar! a ideia é libertar-se! Faz o que tú queres! eram os dizeres simpáticos que descreviam o evento.
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| mulher sentada |
Por mais que tenha trilhado os caminhos das ciências sociais aplicadas, eu sempre flertei com a arte e a expressão corporal. Dança, teatro, fotografia, música... Tudo isso me encanta e me emociona de uma maneira bem particular. Confesso, porém, que as expressões ordinárias e pudicas da arte predominaram aos meus olhos. Com o nu artístico, por exemplo, minha vivência foi distraída. Num entardecer, passei pelo Setor II da UFRN (o famoso Setor II) e fitei por uns segundos um cidadão nu agachado enquanto eu andava com um pouco de pressa, atrasada para o treino de capoeira; havia arte ali, e eu só via, com as sobrancelhas rígidas de estranheza, um cidadão nu agachado.
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| homem sobre banco |
Acontece que, de tanto correr e correr, a gente, em um dia desses de sol ou de chuva, resolve tentar controlar a ansiedade e começa a caminhar na vida, sentir cada passo nessa jornada que nos constrói. Daí, passa a enxergar cores, traços e expressões lamentavelmente ignorados pela pressa do passado. Como agora essa é a minha vibe, haja curiosidade sobre esses novos olhares!
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mulher sentada no chão
mulher com braços estirados para cima |
Ontem, fui novamente para a oficina que motivou esta publicação. Desta vez, eu mesma pensei em posar. Desisti mais pela minha falta de criatividade (que posição seria mais interessante?) que por timidez. Ia levar minha câmera e testar os meus primeiros retratos nesta temática, mas os afazeres de instantes anteriores deixaram-na lá guardada. Tentei, então, rabiscar aqueles corpos, como fiz da primeira vez. Foram uns onze. Havia gente com chapéu, cigarro e saxofone. Algumas vezes eu passava um tempinho mirando o modelo antes de ir para o papel. Noutras, eu via aquela forma delineada e desenhava beirando o desespero, como se a inspiração tivesse chegado e dito que ficaria por ali só por alguns segundos.
Compartilhei alguns dos desenhos. E longe de achar que tenho técnica, faço para compartilhar a experiência de representar "uma parte em outra parte", de fazer arte - ou sei lá o que é isso.
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