Perdi. Perdi meu Drummond.

Desde quando trouxe para as bandas de cá, lembro de carregá-lo no colo depois de saborear algumas páginas e sentir como eu estava feliz por tê-lo comigo depois de um ano e tantos meses. O balançar do ônibus, que comumente incomoda meu juízo e me tira a concentração, preferiu se juntar a mim e apreciar os ditos drummondianos.
Eu li mais de seus poemas já nesta minha morada. No entanto, angustiada por seu sumiço, passei a duvidar se a declamação fora real - talvez eu tenha imaginado um último instante com aqueles escritos.
Um poema me veio à cabeça na volta para casa. E dei conta, definitivamente, que eu perdi meu Drummond, pois não estaria ele naquele armário bem conservado que abriga outros livros. Aliviaria a dureza daquele lugar onde se fala o economês, mas ele não quis ficar lá.
Se outro o tomou pra si, que faça, então, muito, muito, muito bom proveito, pois, hoje, tudo o que eu mais queria era abrir a porta do lar e a da vida rimada contada naquele, ora meu, Drummond.
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