terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Um conto do exílio


Sem energia em Barão Geraldo. A luz vem dos relâmpagos. O barulho, dos trovões, da queda estrondosa dos raios. Sozinha em casa, fico à janela. Tudo distrai e apavora.

Nessas horas, penso nos céus de Fortaleza. A chuva que aqui gorjeia não gorjeia como lá. Se despeja água forte, não sai do tom, quase não permite ruídos. A gente veste uma roupa velhinha e sai pra jogar bola na rua, como se a dançássemos. 

Lá não tem dessa agonia de cá, mas, mesmo que me aflija o juízo, é incrível que me lembre poesia como qualquer outra coisa. 

P.S: a 'Canção do Exílio' foi escrita por Gonçalves Dias quando este morava em Portugal, em 1843, em meio à primeira fase do romantismo brasileiro, na sua face nacionalista. O poema inspirou Oswald, Drummond, Casimiro de Abreu e continua inspirando outros tantos que nutrem saudades das terras onde se criaram.

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