segunda-feira, 31 de julho de 2017

Um sentimento chamado _________ (complete, um dia)

Não sou mãe. Não tenho sobrinhos (ao menos, não humanos). Não convivo com mães de crianças. Quase nunca sou cogitada pra dar aquela olhadinha no garoto enquanto a mãe vai tomar um banho. 

Também pudera, as crianças não gostam muito de mim. E assumo: elas me intimidam bastante. O olhar, o sorriso, o jeito que chama o nome, o que me responde, o que não me responde... Há tanta verdade no que expressam! Sempre me vejo desarmada ao que me deparo. Me pegam de surpresa os moleques. Não sei lidar, não. Passei a aceitar que os pequenos, caso queiram, vão deitar e rolar bonito na minha insegurança. E ainda assim me encantam.

Não convivo com mães de crianças, então é comum o susto a cada visita. Como crescem rápido! Está um doce, uma mimadinha, uma peste. Por outro lado, a atenção que tenho que dar é bem menor. Agora elas ficam no computador enquanto a prosa acontece na cozinha. Me intimido menos. Me envolvo menos. E elas crescem ainda mais. Pergunto aos pais como estão, já que não as vejo mais.

A vida, porém, não se faz só de casos ordinários. Com o Matheus e o Pedro, eu queria dar um monte de agradinhos, saber das brincadeiras preferidas. Queria que lembrassem de mim a cada visita. É um baita trabalho reconquistar o garoto em toooooodo novo encontro. "E não esquece do meu rosto, Matheus".

Contei com a generosidade da mãe deles. Ela deu um jeito e eles estavam cá de fato, eles próprios, na minha vida. Recebia fotos na festa da escola, os "parabéns pra você" mais lindos que eu poderia ouvir em meus cumpleaños. Sabia de causos dos meninos na escola, de manias. E juro: me esforcei para entender o Minecraft.

Nesses dias, o Matheus entrou no facebook. Adicionei. Me aceitou uns dias depois. Demorou alguns mais para interagir e, quando o fez o de fato, eu me toquei que ele cresceu. Ele já lembra de mim, escreve, sabe usar vocativos. Ele cresceu. Dói aceitar isso, mas dói ainda mais eu não estar perto. Junto com essa pontinha de frustração ou tristeza, também me vem uma alegria frenética... porque ele cresceu. Ele cresceu e isso me dá um orgulho danado. E essa explosão de um tanto de coisa foi acionada por uma mensagem de nada -
 ao menos para ele, imagino.        

  

A mensagem de nada deixou os olhos marejados e me arrancou um riso meio constrangido, daqueles simultâneos ao estranhamento da cabeça, quando ela acena um "não" confuso ou um "como assim?". Eu senti ali um sentimento que arrebata. E me parece só uma partezinha de nada de algo imenso e indescritivelmente bonito.
         

Nenhum comentário:

Postar um comentário